segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Eu gostava de ser Campeão…

Mas assim é muito complicado. Depois de conhecidos os resultados negativos dos adversários diretos, e com a possibilidade de atingir a liderança logo na primeira jornada, o mínimo exigível era ganhar contra um Guimarães de segunda que não deverá ir muito longe na prova, e que nem recebeu o imenso apoio que costuma ter nos jogos em casa. A exibição até não foi má de todo, principalmente na segunda parte. Na verdade até seria justa a vitória do Sporting, caso ocorresse. Mas isto é a nossa sina: vamos enchendo o balão da esperança todos os anos, e depois quando começa a doer é mais do mesmo. 
Na primeira parte os jogadores entraram a jogar a passo, devagar, devagarinho e a rirem-se uns para os outros porque o provável cenário da ascensão à liderança não é suficientemente motivador para eles. Têm a atenuante que de facto não estão habituados a isso, ou seja, a jogar para atingirem a liderança do Campeonato. Ao ponto que chegou o meu Sporting. Mas também já equaciono o seguinte: O meu Sporting nunca existiu e é fruto da minha fértil e, de tempos a tempos, criativa imaginação. Por vezes, tenho a mania das Grandezas. 
Na segunda parte os jogadores entraram mais concentrados e mais acutilantes. Faltou pernas para o assalto final, o que também é normal nesta fase da época. E o Wolf não tem bola, e quando tem, nota-se que está a atravessar uma crise de confiança. Também por isso eu talvez tivesse metido primeiro o Laybad que desequilibra mais junto à baliza do que o André Martins, mas isso sou eu que não percebo nada disto. O treinador também tem que gerir as expectativas do balneário e a verdade é que o marroquino chegou há meia dúzia de dias.
Ricardo Sá Pinto – um Homem inteligente e com paixão pelo Clube – que como já alguém disse é um Herói (cada vez acredito mais nisso) está a construir uma equipa de trás para a frente e é assim que deve ser feito. O futebol da equipa é mais consistente que na época passada e os automatismos demoram tempo a surtir efeito. Para mim esta época menos que ser campeão (com hoje ficou muito mais difícil) ou ganhar a liga Europa será uma desilusão, mas lá estou eu com as minhas manias em ser ambicioso. Em Alcochete, o objetivo traçado pela Direção, deve ser algo muito semelhante a ganhar a taça da Liga, ou no máximo atingir o segundo lugar do campeonato.
Enquanto me lembrar das duas grandes deceções que apanhei nos dois últimos jogos oficias (absurda derrota no jamor na final da taça e empate hoje no fundamental início do campeonato) vou tentar desvalorizar esta doença que me atormenta constantemente. Pelo menos esforço-me na tentativa de evitar cair no mais puro masoquismo. Uma coisa é certa: programas televisivos sobre desporto nem vê-los. Os Sportinguistas são os piores adversários do próprio Clube e já basta de insultos à minha parca inteligência…

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O Meu Maior Desejo

Quando um tipo gosta desmesuradamente de Cinema e passa meses sem pisar uma sala é no mínimo triste. Não me lembro de um período assim tão grande em branco. O bom Cinema funciona para mim como um golo do Sporting: Revigora-me a alma. Mas cheira-me que este último filme do Hirokazu Kore-eda de quem já tinha retido isto não me vai escapar...

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A Metáfora

Jeremias era cada vez mais um tipo de deleites subtis, mas ao ouvir a primeira metáfora saída da boca do seu pimpolho não podia deixar de ficar com a alma estarrecida. É que os cabelos dançavam mesmo…

O Tubarão de Baltimore





























Michael Phelps depois de cilindrar todos os recordes olímpicos diz que a partir de agora nadar só no mar. Depois de na minha modesta opinião se ter tornado no melhor atleta de todos os tempos - dificilmente superável nas próximas décadas - com 27 aninhos dá por terminada a carreira. O rotineiro pequeno-almoço deste rapaz é composto por três sandes de ovos fritos com queijo, alface, tomate, cebola e maionese, duas chávenas de café, uma omelete de cinco ovos, uma tigela de papas de milho, três torradas barradas com açúcar e três panquecas de chocolate. Os tubarões que se cuidem...

terça-feira, 31 de julho de 2012

O Olimpismo

Ontem perante uma questão um bocado estúpida de um jornalista - diga-se - que lhe perguntava o que destacava de positivo e negativo na participação portuguesa do dia (como se houvesse algo digno de destaque na hecatombe) o ex-medalha olímpica Nélson Évora destacou a vitória de uma jovem do badminton sobre uma adversária do Sri Lanka e nomeou-o como feito histórico. Quando o politicamente correto se sobrepõe a todos os possíveis resquícios de alguma racionalidade na análise da prestação dos atletas, está tudo dito relativamente aos critérios de exigência que proliferam na representação portuguesa nos Jogos e no país em geral.

Vicente Moura, que por acaso até é do meu Clube, é personagem principal há demasiado tempo deste filme de mau gosto. Há muito que devia ter havido uma renovação na classe dirigente do comité olímpico. Isto, independentemente dos resultados alcançados, porque o seu discurso há demasiado tempo que é de uma pobreza confrangedora para o pobre do contribuinte.
Ganhar em jogos olímpicos nunca será fácil para um atleta português por razões culturais (gostamos demasiado de futebol) e estruturais. Relativamente às condições de treino penso que os atletas já não terão as razões de queixa do passado. O problema reside mais no desaproveitamento desses mesmos recursos já existentes, e na falta de dinamização dos mesmos. Hoje não há paróquia em Portugal que não tenha uma piscina e um polidesportivo. Agora falta o essencial: motivar os jovens e incutir-lhes uma mentalidade competitiva desde cedo. E basta olhar aqui para o lado para Espanha para perceber como se faz: trabalho sério e consistente nas escolas desde tenra idade resulta em campeões praticamente em todas as modalidades.

Felizmente que o Rei futebol em termos desportivos ainda nos vai dando algumas compensações mas, convém realçar, graças a êxitos pontuais que nada resultam de uma aposta com cabeça, tronco e membros por parte do Estado. Mourinho foi criação do próprio (o mérito é todo dele) e a fábrica de talentos de Alvalade é uma exceção à regra.

Agora, para a foto final não ser absolutamente desoladora, resta-nos esperar por uma medalhinha na Vela ou no Atletismo. Se vier pintada de verde, tanto melhor…

O Alive II

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O Inconstestado

Incontestável, só se for em casa dele, e mesmo aí não tenho grandes certezas, mas nesse caso tenho de dar o benefício da dúvida.
Este rapaz é o grau zero da política. O Miguel Relvas do PS. Mal está o País se este personagem chegar a primeiro-ministro, mas atendendo ao estado a que as coisas chegaram já não digo nada...

segunda-feira, 16 de julho de 2012

A Pureza

Como tive oportunidade de constatar ontem os Radiohead, numa época de folclores diversos, excessos comerciais e devaneios sem sentido, continuam iguais a eles próprios: super-profissionais, militantes, empenhados e talentosos. Thom Yorke já não canta os clássicos mas ainda sabe como se faz rock puro saído das profundezas da alma. Surpreendeu-me a extraordinária organização do evento. Estão de parabéns, ou então sou mesmo eu que estou completamente desatualizado pois já não ia a estas coisas há imenso tempo. Uma nota para a atuação de B. Fachada que agradeceu muitas vezes a todos, apesar de ninguém estar ali para o ver - referiu - dado que quando foi convidado já a lotação estava esgotada...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Miguel e a Igualdade

Na Lusófona, como ao longo de toda a sua vida, em cada esquina um amigo, em cada rosto desigualdade. Aguardo serenamente novo acórdão do Tribunal Constitucional relativamente à violação do propagado Princípio….

sexta-feira, 6 de julho de 2012

A Constituição

O Tribunal Constitucional falou e entendeu que o Governo ao cortar os subsídios aos funcionários públicos entra em conflito com o princípio da igualdade. É uma decisão acertada. Quem diz que os Juízes defendem causa própria com esta  medida é um bocado troglodita. Se não confiarmos nas instituições que zelam pela democracia, temos que estar preparados para pôr tudo em causa.
O acórdão tem a tal dose de absurdo que é sempre obrigatória em Portugal porque proíbe mas consente, contudo concedo que se optou pela decisão mais equilibrada: Nada a dizer relativamente a isso. Agora há algo que para mim é evidente: quer grande parte da Constituição, quer a generalidade da legislação laboral em Portugal estão caducas e carecem de reformas profundas e não de cosmética. A Troika com todos os seus defeitos percebeu isso, mas o Governo começou pelo fim. Passou por cima dos preliminares determinado a atingir a ejaculação rapidamente. E se havia algum Governo com margem para fazer as reformas necessárias seria certamente este.

Entretanto, Passos Coelho já indiciou o novo e inevitável caminho: os cortes nos subsídios vão também chegar aos privados. Para a função pública é uma aparente boa notícia pois a perda dos subsídios não fica desta forma institucionalizada como parecia inevitável acontecer, no entanto não deverão esperar pela demora. Este Governo já há muito identificou os alvos a abater. Os despedimentos na função pública vão ser liberalizados. É somente uma questão de tempo...

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Meditação na Pastelaria

«Por favor, Madame, tire as patas,
Por favor, as patas do seu cão
De cima da mesa, que a gerência
Agradece.
Nunca se sabe quando começa a insolência!
Que tempo este, meu Deus, uma senhora
Está sempre em perigo e o perigo
Em cada rua, em cada olhar,
Em cada sorriso ou gesto
De boa-educação!
A inspecção irónica das pernas,
Eis o que os homens sabem oferecer-nos,
Inspecção demorada e ascendente,
Acompanhada de assobios
E de sorrisos que se abrem e se fecham
Procurando uma fresta, uma fraqueza
Qualquer da nossa parte…
Mas uma senhora é uma senhora.
Só vê a malícia quem a tem.
Uma senhora passa
E ladrar é o seu dever – se tanto for preciso!
O pó de arroz:
Horrível!
O bâton:
Igual!
O amor de Raul é já uma saudade,
Foi sempre uma saudade…
(O escritório
Toma-lhe o tempo todo?
Desconfio que não…)
Filhos tivemos um:
Desapareceu…
E já nem sei chorar!
Chorar…
Como eu queria poder chorar!
Chorar encostada a uma saudade
Bem maior do que eu,
Que não fosse esta tristeza
Absurda de cada dia:
Unha
Quebrada de melancolia…
Perdi tudo, quase tudo…
Hoje,
Resta-me a devoção
E este pequeno inteligente cão.
Por favor, Madame, tire as patas,
Por favor, as patas do seu cão
De cima da mesa, que a gerência
Agradece. »

Alexandre O'Neill

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O Adiar

Portugal é um País de concretizações continuamente adiadas. De aventuras que não chegam a ser aventuras. Até para o cumprimento do défice, vamos ter de pedir mais tempo. No Futebol a seleção irá ganhar é em 2014 e por aí fora, num contínuo empurrar para terras do nunca daquilo que estava ali ao nosso alcance.

Jeremias no meio da sua habitual loucura pensava para com os seus botões que se 1% dos projetos idealizados à mesa do café,  e que acabam irremediavelmente proscritos na gaveta (ou na Pastelaria de O´Neill), pudessem ser incorporados no PIB não havia cá Alemanha que nos fizesse frente….

Endless Road – Time Bandits

 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O Fadinho

Acabou o sonho do Europeu. Passos Coelho ainda chegou a pensar que lhe tinha saído a lotaria e o euromilhões numa única jogada, mas a saga mediática com a bola acabou por ser um mero interlúdio para o inevitável anúncio de mais austeridade.

É todavia engraçado perceber (mais uma vez) que as pessoas são o que são, e que ninguém consegue fugir ao que na realidade é, apesar de se esforçarem para aparentar o contrário. Parece um lugar-comum mas não é. Por exemplo, Paulo Bento mantém as virtudes e defeitos que tinha como treinador do meu Grande Sporting. E isto nem sequer é uma crítica ao seu trabalho que foi bastante meritório. Com uma esmagadora maioria de jogadores medianos, um super-craque e 4/5 jogadores de verdadeira elite (não mais) seria complicado exigir outro destino que não este. E teve o azar de este ser um Europeu sem grandes surpresas, ao contrário do que acontece frequentemente, com as habituais equipas mais fortes a atingirem todas as meias-finais da prova.

O País pode agora voltar com tranquilidade a enfiar a cabeça no buraco que cavou. Somos o aluno mais bem comportado da europa, disciplinado e voluntarioso, apesar de intelectualmente revoltado. Esta realidade é a mesma em Portugal há décadas e décadas. Encontra-se enraizada nas relações laborais, nas instituições, nos partidos políticos, nos clubes de futebol. Esta é a sina do ser português que viveu, convém lembrar, uma das revoluções políticas mais pacíficas do mundo. Não havendo mais nada para cortar, voltaremos todos a viver da terra. A única diferença é que veremos a bola em imponentes plasmas…

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O Nepal

Perante a mesquinhez mais ignorante, Jeremias silenciava a sua revolta. Os silêncios esforçados de Jeremias ecoavam nas montanhas do Nepal... 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O Varela

Varela marcou um golo um pouco ridículo mas decisivo para as aspirações desta seleção no Europeu. A façanha de Varela é um bom retrato do Portugal atual: um jogador mediano que em tempo de vacas magras (a grande estrela CR7 apagada) faz das suas fraquezas, forças, e num estilo algo desajeitado consegue evitar que o país se enterre definitivamente numa depressão profunda. Merece o prémio pela sua abnegação e beneficia do facto de Paulo Bento não gostar do estilo Quaresma que, quanto a mim, acrescentaria bem mais à equipa.
O Grande Patrício tem apanhado com jogos um pouco traiçoeiros mas estou convicto que ainda vai ser decisivo. Cristiano Ronaldo ontem levou um banho de humildade. Vive, muito por culpa própria, com a pressão e o desejo de ser novamente considerado o melhor do mundo mas ainda vai a tempo de ser uma das grandes figuras do Europeu…

Pablo Picasso


quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Folcore

Com o Circo em andamento a Grande Juíza disse de sua Suprema Justiça, não obstante a habitualmente louca (mas brilhante) ironia numa das formas escolhidas para demonstrar a sua vontade...