quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O Benfica

 
Com um abraço fraterno aos meus leitores lampiões, até porque a minha guerra é contra os senhores do norte, mas não podia deixar de postar esta pequena amostra do Portugal Português a quem nem falta o peculiar bigode...

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O Rumo

Passos Coelho mandou Borges à frente para mandar o barro à parede. Concessionar a televisão pública a privados acabando com o canal 2 parecia-lhe uma boa ideia, por mais estranho que isso possa parecer a uma criança de 6 anos. Acontece que a generalidade da opinião pública, em boa hora diga-se, não achou piada à coisa e a solução do problema fica agora em águas de bacalhau. A questão é que há soluções para o problema e até boas soluções - privatizar o canal 1 e o canal noticioso por exemplo, que comercialmente e financeiramente até serão os canais mais apetecíveis para eventuais compradores. 
Tal como na questão da limitação das freguesias o provável é o assunto arrastar-se sem vestígios de se chegar a uma resolução definitiva. Entretanto estas hesitações e estas discussões frívolas à volta dos temas, continuam a custar diariamente milhões de euros ao País. 
Cada vez há mais provas evidentes de que este Governo quando resolve decidir, por norma decide mal. E tem ímpetos dialogantes quando o diálogo não faz qualquer sentido. Passos Coelho perdeu o rumo…

O Remador

Remava contra ventos e marés, não porque fosse especialmente dotado do ponto de vista físico, mas porque era a única saída possível para aquele rio de amargura…

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O Imperdoável

Acabar com o Canal 2 da RTP é a cereja em cima do bolo para um país que segue completamente à deriva. 
O Serviço Público é para este Governo um conceito anacrónico. Algo que não os comove minimamente e que querem - depressa e em força - aniquilar. O problema é que existem áreas sensíveis de governação que pela sua importância estratégica deveriam ser de todo interditas às divagações ultra-liberais desta imbecil gente que nos governa. 
Passos Coelho tem de explicar aos portugueses, sem se esconder atrás dos Borges desta vida, qual é o alcance para as gerações vindouras de mais esta cretinice? E, já agora, explicar também aos portugueses porque é que ninguém equacionou a hipótese mais sensata e talvez até a mais rentável para o País: privatizar definitivamente o canal 1 e o canal noticioso que, assim como assim, em termos de programação não diferem sobremaneira dos canais concorrentes da SIC e da TVI e deixar o canal 2, a RTP Internacional, a RTP África e a RTP Memória na órbita do Estado. 
O Serviço Público para esta escumalha que nos governa é um mero empecilho às suas nobres intenções. Portugal não tem Salvação

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A Bicefalia

No Bloco de Esquerda existe grande discussão interna à volta da eventual liderança bicéfala do futuro. Francisco Louça quer deixar o lugar, mas aponta o caminho a tomar. Os militantes mais mediáticos acham que ao novo líder devem ser dadas as mesmas condições que Louça beneficiou ao longo do seu reinado. 

O Bloco de Esquerda é um Projeto político que vive de facto um momento crucial para a sua sobrevivência como tal. Nasceu em circunstâncias muito próprias e teve uma ascensão célere. Capitalizou rapidamente o facto de se ter formado com base em 3 organizações já implementadas no terreno com estruturas próprias, e beneficiou também da conjuntura política da altura: o habitual socialismo envergonhado do PS que permitia desbravar novos caminhos à esquerda. Inclusivamente, eu próprio, apoiei o Bloco nos primórdios quando valiam 2 % a 4 % do eleitorado. O Problema do Bloco de Esquerda foi que para crescer teve de se descaracterizar. 
O facto de ser constituído por gente intelectualmente credível com notoriedade nos media foi outra particularidade fundamental nos primeiros tempos para a passagem da mensagem que foi bem delineada, saliente-se. E cada vez mais sem uma mensagem inteligente, não há projecto que singre, a qualquer nível. 

Francisco Louça, goste-se ou não se goste, é na minha ótica um político que marca uma geração. Não será fácil de substituir mesmo para o Bloco que tem na nata dos seus militantes gente capaz e com perfil para o suceder. Foi mesmo a sua coerência que o derrotou. A sua insensata e incondicional estratégia anti-troika acabou por levar o partido para uma espécie de beco sem saída, previsível, aliás. 

A Bicefalia na liderança pode ser uma solução interessante que mantinha o Bloco nos trilhos do vanguardismo. Se essa Liderança for partilhada por um Homem e uma Mulher reforçaria ainda mais essa tendência. 
Agora, mais importante nesta fase para o Bloco que as caras ou o modelo de liderança é o rumo a tomar. O futuro do Bloco passa por perceber quais as diretrizes que alguns dos seus militantes mais emblemáticos preconizam. E sinceramente, penso que isso ainda é uma incógnita, mesmo na cabeça de alguns deles. 

Eu não acredito no futuro de Portugal. Continuamos a errar em tudo o que é essencial. Iremos continuar a viver ao sabor das marés mas gostava que da génese do Bloco pudesse sair algo aproveitável para o futuro. Algo que pudesse melhorar a sociedade onde o meu filho vai crescer e formar a sua personalidade. E para isso acontecer, o Bloco tem que perceber que a sua afirmação como alternativa governativa com um projeto viável para o País é imprescindível. Nunca ganhará eleições provavelmente, mas pode negociar, pode exigir, pode estimular políticas, pode, em suma, fazer desenvolver Portugal. Mas para isso, primeiro tem que ceder…  

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Eu gostava de ser Campeão…

Mas assim é muito complicado. Depois de conhecidos os resultados negativos dos adversários diretos, e com a possibilidade de atingir a liderança logo na primeira jornada, o mínimo exigível era ganhar contra um Guimarães de segunda que não deverá ir muito longe na prova, e que nem recebeu o imenso apoio que costuma ter nos jogos em casa. A exibição até não foi má de todo, principalmente na segunda parte. Na verdade até seria justa a vitória do Sporting, caso ocorresse. Mas isto é a nossa sina: vamos enchendo o balão da esperança todos os anos, e depois quando começa a doer é mais do mesmo. 
Na primeira parte os jogadores entraram a jogar a passo, devagar, devagarinho e a rirem-se uns para os outros porque o provável cenário da ascensão à liderança não é suficientemente motivador para eles. Têm a atenuante que de facto não estão habituados a isso, ou seja, a jogar para atingirem a liderança do Campeonato. Ao ponto que chegou o meu Sporting. Mas também já equaciono o seguinte: O meu Sporting nunca existiu e é fruto da minha fértil e, de tempos a tempos, criativa imaginação. Por vezes, tenho a mania das Grandezas. 
Na segunda parte os jogadores entraram mais concentrados e mais acutilantes. Faltou pernas para o assalto final, o que também é normal nesta fase da época. E o Wolf não tem bola, e quando tem, nota-se que está a atravessar uma crise de confiança. Também por isso eu talvez tivesse metido primeiro o Laybad que desequilibra mais junto à baliza do que o André Martins, mas isso sou eu que não percebo nada disto. O treinador também tem que gerir as expectativas do balneário e a verdade é que o marroquino chegou há meia dúzia de dias.
Ricardo Sá Pinto – um Homem inteligente e com paixão pelo Clube – que como já alguém disse é um Herói (cada vez acredito mais nisso) está a construir uma equipa de trás para a frente e é assim que deve ser feito. O futebol da equipa é mais consistente que na época passada e os automatismos demoram tempo a surtir efeito. Para mim esta época menos que ser campeão (com hoje ficou muito mais difícil) ou ganhar a liga Europa será uma desilusão, mas lá estou eu com as minhas manias em ser ambicioso. Em Alcochete, o objetivo traçado pela Direção, deve ser algo muito semelhante a ganhar a taça da Liga, ou no máximo atingir o segundo lugar do campeonato.
Enquanto me lembrar das duas grandes deceções que apanhei nos dois últimos jogos oficias (absurda derrota no jamor na final da taça e empate hoje no fundamental início do campeonato) vou tentar desvalorizar esta doença que me atormenta constantemente. Pelo menos esforço-me na tentativa de evitar cair no mais puro masoquismo. Uma coisa é certa: programas televisivos sobre desporto nem vê-los. Os Sportinguistas são os piores adversários do próprio Clube e já basta de insultos à minha parca inteligência…

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O Meu Maior Desejo

Quando um tipo gosta desmesuradamente de Cinema e passa meses sem pisar uma sala é no mínimo triste. Não me lembro de um período assim tão grande em branco. O bom Cinema funciona para mim como um golo do Sporting: Revigora-me a alma. Mas cheira-me que este último filme do Hirokazu Kore-eda de quem já tinha retido isto não me vai escapar...

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A Metáfora

Jeremias era cada vez mais um tipo de deleites subtis, mas ao ouvir a primeira metáfora saída da boca do seu pimpolho não podia deixar de ficar com a alma estarrecida. É que os cabelos dançavam mesmo…

O Tubarão de Baltimore





























Michael Phelps depois de cilindrar todos os recordes olímpicos diz que a partir de agora nadar só no mar. Depois de na minha modesta opinião se ter tornado no melhor atleta de todos os tempos - dificilmente superável nas próximas décadas - com 27 aninhos dá por terminada a carreira. O rotineiro pequeno-almoço deste rapaz é composto por três sandes de ovos fritos com queijo, alface, tomate, cebola e maionese, duas chávenas de café, uma omelete de cinco ovos, uma tigela de papas de milho, três torradas barradas com açúcar e três panquecas de chocolate. Os tubarões que se cuidem...

terça-feira, 31 de julho de 2012

O Olimpismo

Ontem perante uma questão um bocado estúpida de um jornalista - diga-se - que lhe perguntava o que destacava de positivo e negativo na participação portuguesa do dia (como se houvesse algo digno de destaque na hecatombe) o ex-medalha olímpica Nélson Évora destacou a vitória de uma jovem do badminton sobre uma adversária do Sri Lanka e nomeou-o como feito histórico. Quando o politicamente correto se sobrepõe a todos os possíveis resquícios de alguma racionalidade na análise da prestação dos atletas, está tudo dito relativamente aos critérios de exigência que proliferam na representação portuguesa nos Jogos e no país em geral.

Vicente Moura, que por acaso até é do meu Clube, é personagem principal há demasiado tempo deste filme de mau gosto. Há muito que devia ter havido uma renovação na classe dirigente do comité olímpico. Isto, independentemente dos resultados alcançados, porque o seu discurso há demasiado tempo que é de uma pobreza confrangedora para o pobre do contribuinte.
Ganhar em jogos olímpicos nunca será fácil para um atleta português por razões culturais (gostamos demasiado de futebol) e estruturais. Relativamente às condições de treino penso que os atletas já não terão as razões de queixa do passado. O problema reside mais no desaproveitamento desses mesmos recursos já existentes, e na falta de dinamização dos mesmos. Hoje não há paróquia em Portugal que não tenha uma piscina e um polidesportivo. Agora falta o essencial: motivar os jovens e incutir-lhes uma mentalidade competitiva desde cedo. E basta olhar aqui para o lado para Espanha para perceber como se faz: trabalho sério e consistente nas escolas desde tenra idade resulta em campeões praticamente em todas as modalidades.

Felizmente que o Rei futebol em termos desportivos ainda nos vai dando algumas compensações mas, convém realçar, graças a êxitos pontuais que nada resultam de uma aposta com cabeça, tronco e membros por parte do Estado. Mourinho foi criação do próprio (o mérito é todo dele) e a fábrica de talentos de Alvalade é uma exceção à regra.

Agora, para a foto final não ser absolutamente desoladora, resta-nos esperar por uma medalhinha na Vela ou no Atletismo. Se vier pintada de verde, tanto melhor…

O Alive II

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O Inconstestado

Incontestável, só se for em casa dele, e mesmo aí não tenho grandes certezas, mas nesse caso tenho de dar o benefício da dúvida.
Este rapaz é o grau zero da política. O Miguel Relvas do PS. Mal está o País se este personagem chegar a primeiro-ministro, mas atendendo ao estado a que as coisas chegaram já não digo nada...

segunda-feira, 16 de julho de 2012

A Pureza

Como tive oportunidade de constatar ontem os Radiohead, numa época de folclores diversos, excessos comerciais e devaneios sem sentido, continuam iguais a eles próprios: super-profissionais, militantes, empenhados e talentosos. Thom Yorke já não canta os clássicos mas ainda sabe como se faz rock puro saído das profundezas da alma. Surpreendeu-me a extraordinária organização do evento. Estão de parabéns, ou então sou mesmo eu que estou completamente desatualizado pois já não ia a estas coisas há imenso tempo. Uma nota para a atuação de B. Fachada que agradeceu muitas vezes a todos, apesar de ninguém estar ali para o ver - referiu - dado que quando foi convidado já a lotação estava esgotada...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Miguel e a Igualdade

Na Lusófona, como ao longo de toda a sua vida, em cada esquina um amigo, em cada rosto desigualdade. Aguardo serenamente novo acórdão do Tribunal Constitucional relativamente à violação do propagado Princípio….

sexta-feira, 6 de julho de 2012

A Constituição

O Tribunal Constitucional falou e entendeu que o Governo ao cortar os subsídios aos funcionários públicos entra em conflito com o princípio da igualdade. É uma decisão acertada. Quem diz que os Juízes defendem causa própria com esta  medida é um bocado troglodita. Se não confiarmos nas instituições que zelam pela democracia, temos que estar preparados para pôr tudo em causa.
O acórdão tem a tal dose de absurdo que é sempre obrigatória em Portugal porque proíbe mas consente, contudo concedo que se optou pela decisão mais equilibrada: Nada a dizer relativamente a isso. Agora há algo que para mim é evidente: quer grande parte da Constituição, quer a generalidade da legislação laboral em Portugal estão caducas e carecem de reformas profundas e não de cosmética. A Troika com todos os seus defeitos percebeu isso, mas o Governo começou pelo fim. Passou por cima dos preliminares determinado a atingir a ejaculação rapidamente. E se havia algum Governo com margem para fazer as reformas necessárias seria certamente este.

Entretanto, Passos Coelho já indiciou o novo e inevitável caminho: os cortes nos subsídios vão também chegar aos privados. Para a função pública é uma aparente boa notícia pois a perda dos subsídios não fica desta forma institucionalizada como parecia inevitável acontecer, no entanto não deverão esperar pela demora. Este Governo já há muito identificou os alvos a abater. Os despedimentos na função pública vão ser liberalizados. É somente uma questão de tempo...

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Meditação na Pastelaria

«Por favor, Madame, tire as patas,
Por favor, as patas do seu cão
De cima da mesa, que a gerência
Agradece.
Nunca se sabe quando começa a insolência!
Que tempo este, meu Deus, uma senhora
Está sempre em perigo e o perigo
Em cada rua, em cada olhar,
Em cada sorriso ou gesto
De boa-educação!
A inspecção irónica das pernas,
Eis o que os homens sabem oferecer-nos,
Inspecção demorada e ascendente,
Acompanhada de assobios
E de sorrisos que se abrem e se fecham
Procurando uma fresta, uma fraqueza
Qualquer da nossa parte…
Mas uma senhora é uma senhora.
Só vê a malícia quem a tem.
Uma senhora passa
E ladrar é o seu dever – se tanto for preciso!
O pó de arroz:
Horrível!
O bâton:
Igual!
O amor de Raul é já uma saudade,
Foi sempre uma saudade…
(O escritório
Toma-lhe o tempo todo?
Desconfio que não…)
Filhos tivemos um:
Desapareceu…
E já nem sei chorar!
Chorar…
Como eu queria poder chorar!
Chorar encostada a uma saudade
Bem maior do que eu,
Que não fosse esta tristeza
Absurda de cada dia:
Unha
Quebrada de melancolia…
Perdi tudo, quase tudo…
Hoje,
Resta-me a devoção
E este pequeno inteligente cão.
Por favor, Madame, tire as patas,
Por favor, as patas do seu cão
De cima da mesa, que a gerência
Agradece. »

Alexandre O'Neill

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O Adiar

Portugal é um País de concretizações continuamente adiadas. De aventuras que não chegam a ser aventuras. Até para o cumprimento do défice, vamos ter de pedir mais tempo. No Futebol a seleção irá ganhar é em 2014 e por aí fora, num contínuo empurrar para terras do nunca daquilo que estava ali ao nosso alcance.

Jeremias no meio da sua habitual loucura pensava para com os seus botões que se 1% dos projetos idealizados à mesa do café,  e que acabam irremediavelmente proscritos na gaveta (ou na Pastelaria de O´Neill), pudessem ser incorporados no PIB não havia cá Alemanha que nos fizesse frente….

Endless Road – Time Bandits