terça-feira, 18 de setembro de 2012

O Estado da Podridão (Nação)

Paulo portas quer tirar o tapete a passos coelho mas hesita porque se diz patriota. Passos coelho, qual virgem ofendida, sente-se traído e quer puxar as orelhas ao parceiro em privado. Tó Zé Seguro – o melhor produto de plástico embalado do país – deu uma entrevista em horário nobre na TV em que conseguiu a inebriante proeza de demonstrar perante todo o Portugal que naquela cabeça não mora o mais vago vestígio de uma simples convicção. 
Cavaco – no digno papel de representante máximo do estaminé - não abre a boca porque já percebeu que quando fala com aquele seu ar naturalmente entusiasmante, Portugal ainda se afunda mais em depressão...

terça-feira, 11 de setembro de 2012

As Contas de Gaspar

O governo meteu-se numa carga de trabalhos com o anúncio de mais austeridade. Parece que finalmente o país começa a querer acordar da longa letargia em que vive, mas deve ser sol de pouca dura porque como habitual a gente vai continuar a viver com a cabeça entre as orelhas – uns melhores que outros, infelizmente. 
A verdade é que as medidas eram inevitáveis há já algum tempo, como até eu já tinha previsto, e não há ninguém que apareça com alternativas credíveis e minimamente sérias. É óbvio que o ponto mais sensível deste anúncio é objetivamente o facto do aumento de impostos incidir mais uma vez sobre rendimentos do trabalho esquecendo de tributar o supremo capital. E isso é inaceitável. Mas relativamente a isso Gaspar já deve andar a preparar uma medida qualquer avulsa para enganar os tolinhos, porque é assim que que se trabalha neste país à beira-mar plantado: governa-se ao sabor dos sound bites mediáticos. Mesmo com a Troika a ditar as leis, nunca houve a mais leve sensação da existência de uma estratégia económica consistente de longo-prazo. 
Sobre as variações nas taxas da segurança social não sou tão crítico. É uma abordagem laboral que faz algum sentido (pelo menos, no excel de Gaspar) mas a verdade é que com o avolumar do decréscimo do consumo a medida não terá repercussões ao nível do Desemprego o que a torna um tudo-nada inócua, coisa de somenos importância para esta gente que nos governa. 

Assinale-se de forma muito meritória que Passos Coelho não fez o anúncio ao País através do facebook, como outrora o palhaço-mor Cavaco já experimentou em algumas das suas peculiares declarações. O Primeiro-Ministro - realce-se - ainda se dignou ir à televisão falar-nos, mesmo que fugindo ao horário nobre. Falou antes da bola começar, assim como quem não quer a coisa. 
Passos Coelho utiliza meramente o livro das caras (o muro de lamentações e devaneios infantis dos pós-modernistas) para desabafar no seu difícil papel de pai, partilhando connosco as preocupações que lhe amarguram a alma. Pobre país este que vive à mercê do livro das caras, quando os governantes dão mostras de não saber fazer simples contas de somar por não terem lido os livros certos. 
Aguardo com serenidade o desfecho lógico desta encruzinhada. Que o Primeiro-Ministro nos mande a todos definitivamente emigrar. O melhor é ficar atento ao livro das caras…

domingo, 9 de setembro de 2012

O Milagre


Aqui
E há quem não acredite em milagres! Cobain is back. 
Impressionante as semelhanças no timbre, na voz e na sofreguidão...

sábado, 8 de setembro de 2012

A Atalaia

Na Quinta da Atalaia – Amora – Seixal começou ontem mais uma Festa do Avante. Nunca votei na CDU, mas ano após ano o Avante continua a ser um fenómeno cultural, popular, social e político. Provavelmente é o único local do país onde se pode beber tinto carrascão (para quem goste) ao mesmo tempo que se ouve interpretações excecionais de Johann Sebastian Bach. Não há mesmo festa como essa. Feita por pessoas para pessoas, militantes, empenhadas e livres. 
De tempos a tempos volto lá. A primeira que fui já deve ter sido para aí há 25 anos. Cheira-me que para o ano que vem o meu pimpolho vai dançar a primeira Carvalhesa da vida dele…

A Coragem

A estratégia de Passos Coelho até pode fazer algum sentido, não é totalmente desprovida de senso, como outras excentricidades que lhe ocorrem, mas a verdade é que a propagada desigualdade levantada pelo tribunal constitucional mantém-se. Ou seja, os funcionários públicos continuam a ser mais prejudicados que os trabalhadores do sector privado. Igualdade só existirá se os despedimentos na função pública forem liberalizados e aí nesse cenário, poderiam os cortes salariais serem idênticos para todos. Para que isso aconteça, é necessário coragem política, coisa que rareia em Portugal…

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O Benfica

 
Com um abraço fraterno aos meus leitores lampiões, até porque a minha guerra é contra os senhores do norte, mas não podia deixar de postar esta pequena amostra do Portugal Português a quem nem falta o peculiar bigode...

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O Rumo

Passos Coelho mandou Borges à frente para mandar o barro à parede. Concessionar a televisão pública a privados acabando com o canal 2 parecia-lhe uma boa ideia, por mais estranho que isso possa parecer a uma criança de 6 anos. Acontece que a generalidade da opinião pública, em boa hora diga-se, não achou piada à coisa e a solução do problema fica agora em águas de bacalhau. A questão é que há soluções para o problema e até boas soluções - privatizar o canal 1 e o canal noticioso por exemplo, que comercialmente e financeiramente até serão os canais mais apetecíveis para eventuais compradores. 
Tal como na questão da limitação das freguesias o provável é o assunto arrastar-se sem vestígios de se chegar a uma resolução definitiva. Entretanto estas hesitações e estas discussões frívolas à volta dos temas, continuam a custar diariamente milhões de euros ao País. 
Cada vez há mais provas evidentes de que este Governo quando resolve decidir, por norma decide mal. E tem ímpetos dialogantes quando o diálogo não faz qualquer sentido. Passos Coelho perdeu o rumo…

O Remador

Remava contra ventos e marés, não porque fosse especialmente dotado do ponto de vista físico, mas porque era a única saída possível para aquele rio de amargura…

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O Imperdoável

Acabar com o Canal 2 da RTP é a cereja em cima do bolo para um país que segue completamente à deriva. 
O Serviço Público é para este Governo um conceito anacrónico. Algo que não os comove minimamente e que querem - depressa e em força - aniquilar. O problema é que existem áreas sensíveis de governação que pela sua importância estratégica deveriam ser de todo interditas às divagações ultra-liberais desta imbecil gente que nos governa. 
Passos Coelho tem de explicar aos portugueses, sem se esconder atrás dos Borges desta vida, qual é o alcance para as gerações vindouras de mais esta cretinice? E, já agora, explicar também aos portugueses porque é que ninguém equacionou a hipótese mais sensata e talvez até a mais rentável para o País: privatizar definitivamente o canal 1 e o canal noticioso que, assim como assim, em termos de programação não diferem sobremaneira dos canais concorrentes da SIC e da TVI e deixar o canal 2, a RTP Internacional, a RTP África e a RTP Memória na órbita do Estado. 
O Serviço Público para esta escumalha que nos governa é um mero empecilho às suas nobres intenções. Portugal não tem Salvação

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A Bicefalia

No Bloco de Esquerda existe grande discussão interna à volta da eventual liderança bicéfala do futuro. Francisco Louça quer deixar o lugar, mas aponta o caminho a tomar. Os militantes mais mediáticos acham que ao novo líder devem ser dadas as mesmas condições que Louça beneficiou ao longo do seu reinado. 

O Bloco de Esquerda é um Projeto político que vive de facto um momento crucial para a sua sobrevivência como tal. Nasceu em circunstâncias muito próprias e teve uma ascensão célere. Capitalizou rapidamente o facto de se ter formado com base em 3 organizações já implementadas no terreno com estruturas próprias, e beneficiou também da conjuntura política da altura: o habitual socialismo envergonhado do PS que permitia desbravar novos caminhos à esquerda. Inclusivamente, eu próprio, apoiei o Bloco nos primórdios quando valiam 2 % a 4 % do eleitorado. O Problema do Bloco de Esquerda foi que para crescer teve de se descaracterizar. 
O facto de ser constituído por gente intelectualmente credível com notoriedade nos media foi outra particularidade fundamental nos primeiros tempos para a passagem da mensagem que foi bem delineada, saliente-se. E cada vez mais sem uma mensagem inteligente, não há projecto que singre, a qualquer nível. 

Francisco Louça, goste-se ou não se goste, é na minha ótica um político que marca uma geração. Não será fácil de substituir mesmo para o Bloco que tem na nata dos seus militantes gente capaz e com perfil para o suceder. Foi mesmo a sua coerência que o derrotou. A sua insensata e incondicional estratégia anti-troika acabou por levar o partido para uma espécie de beco sem saída, previsível, aliás. 

A Bicefalia na liderança pode ser uma solução interessante que mantinha o Bloco nos trilhos do vanguardismo. Se essa Liderança for partilhada por um Homem e uma Mulher reforçaria ainda mais essa tendência. 
Agora, mais importante nesta fase para o Bloco que as caras ou o modelo de liderança é o rumo a tomar. O futuro do Bloco passa por perceber quais as diretrizes que alguns dos seus militantes mais emblemáticos preconizam. E sinceramente, penso que isso ainda é uma incógnita, mesmo na cabeça de alguns deles. 

Eu não acredito no futuro de Portugal. Continuamos a errar em tudo o que é essencial. Iremos continuar a viver ao sabor das marés mas gostava que da génese do Bloco pudesse sair algo aproveitável para o futuro. Algo que pudesse melhorar a sociedade onde o meu filho vai crescer e formar a sua personalidade. E para isso acontecer, o Bloco tem que perceber que a sua afirmação como alternativa governativa com um projeto viável para o País é imprescindível. Nunca ganhará eleições provavelmente, mas pode negociar, pode exigir, pode estimular políticas, pode, em suma, fazer desenvolver Portugal. Mas para isso, primeiro tem que ceder…  

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Eu gostava de ser Campeão…

Mas assim é muito complicado. Depois de conhecidos os resultados negativos dos adversários diretos, e com a possibilidade de atingir a liderança logo na primeira jornada, o mínimo exigível era ganhar contra um Guimarães de segunda que não deverá ir muito longe na prova, e que nem recebeu o imenso apoio que costuma ter nos jogos em casa. A exibição até não foi má de todo, principalmente na segunda parte. Na verdade até seria justa a vitória do Sporting, caso ocorresse. Mas isto é a nossa sina: vamos enchendo o balão da esperança todos os anos, e depois quando começa a doer é mais do mesmo. 
Na primeira parte os jogadores entraram a jogar a passo, devagar, devagarinho e a rirem-se uns para os outros porque o provável cenário da ascensão à liderança não é suficientemente motivador para eles. Têm a atenuante que de facto não estão habituados a isso, ou seja, a jogar para atingirem a liderança do Campeonato. Ao ponto que chegou o meu Sporting. Mas também já equaciono o seguinte: O meu Sporting nunca existiu e é fruto da minha fértil e, de tempos a tempos, criativa imaginação. Por vezes, tenho a mania das Grandezas. 
Na segunda parte os jogadores entraram mais concentrados e mais acutilantes. Faltou pernas para o assalto final, o que também é normal nesta fase da época. E o Wolf não tem bola, e quando tem, nota-se que está a atravessar uma crise de confiança. Também por isso eu talvez tivesse metido primeiro o Laybad que desequilibra mais junto à baliza do que o André Martins, mas isso sou eu que não percebo nada disto. O treinador também tem que gerir as expectativas do balneário e a verdade é que o marroquino chegou há meia dúzia de dias.
Ricardo Sá Pinto – um Homem inteligente e com paixão pelo Clube – que como já alguém disse é um Herói (cada vez acredito mais nisso) está a construir uma equipa de trás para a frente e é assim que deve ser feito. O futebol da equipa é mais consistente que na época passada e os automatismos demoram tempo a surtir efeito. Para mim esta época menos que ser campeão (com hoje ficou muito mais difícil) ou ganhar a liga Europa será uma desilusão, mas lá estou eu com as minhas manias em ser ambicioso. Em Alcochete, o objetivo traçado pela Direção, deve ser algo muito semelhante a ganhar a taça da Liga, ou no máximo atingir o segundo lugar do campeonato.
Enquanto me lembrar das duas grandes deceções que apanhei nos dois últimos jogos oficias (absurda derrota no jamor na final da taça e empate hoje no fundamental início do campeonato) vou tentar desvalorizar esta doença que me atormenta constantemente. Pelo menos esforço-me na tentativa de evitar cair no mais puro masoquismo. Uma coisa é certa: programas televisivos sobre desporto nem vê-los. Os Sportinguistas são os piores adversários do próprio Clube e já basta de insultos à minha parca inteligência…

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O Meu Maior Desejo

Quando um tipo gosta desmesuradamente de Cinema e passa meses sem pisar uma sala é no mínimo triste. Não me lembro de um período assim tão grande em branco. O bom Cinema funciona para mim como um golo do Sporting: Revigora-me a alma. Mas cheira-me que este último filme do Hirokazu Kore-eda de quem já tinha retido isto não me vai escapar...

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A Metáfora

Jeremias era cada vez mais um tipo de deleites subtis, mas ao ouvir a primeira metáfora saída da boca do seu pimpolho não podia deixar de ficar com a alma estarrecida. É que os cabelos dançavam mesmo…

O Tubarão de Baltimore





























Michael Phelps depois de cilindrar todos os recordes olímpicos diz que a partir de agora nadar só no mar. Depois de na minha modesta opinião se ter tornado no melhor atleta de todos os tempos - dificilmente superável nas próximas décadas - com 27 aninhos dá por terminada a carreira. O rotineiro pequeno-almoço deste rapaz é composto por três sandes de ovos fritos com queijo, alface, tomate, cebola e maionese, duas chávenas de café, uma omelete de cinco ovos, uma tigela de papas de milho, três torradas barradas com açúcar e três panquecas de chocolate. Os tubarões que se cuidem...

terça-feira, 31 de julho de 2012

O Olimpismo

Ontem perante uma questão um bocado estúpida de um jornalista - diga-se - que lhe perguntava o que destacava de positivo e negativo na participação portuguesa do dia (como se houvesse algo digno de destaque na hecatombe) o ex-medalha olímpica Nélson Évora destacou a vitória de uma jovem do badminton sobre uma adversária do Sri Lanka e nomeou-o como feito histórico. Quando o politicamente correto se sobrepõe a todos os possíveis resquícios de alguma racionalidade na análise da prestação dos atletas, está tudo dito relativamente aos critérios de exigência que proliferam na representação portuguesa nos Jogos e no país em geral.

Vicente Moura, que por acaso até é do meu Clube, é personagem principal há demasiado tempo deste filme de mau gosto. Há muito que devia ter havido uma renovação na classe dirigente do comité olímpico. Isto, independentemente dos resultados alcançados, porque o seu discurso há demasiado tempo que é de uma pobreza confrangedora para o pobre do contribuinte.
Ganhar em jogos olímpicos nunca será fácil para um atleta português por razões culturais (gostamos demasiado de futebol) e estruturais. Relativamente às condições de treino penso que os atletas já não terão as razões de queixa do passado. O problema reside mais no desaproveitamento desses mesmos recursos já existentes, e na falta de dinamização dos mesmos. Hoje não há paróquia em Portugal que não tenha uma piscina e um polidesportivo. Agora falta o essencial: motivar os jovens e incutir-lhes uma mentalidade competitiva desde cedo. E basta olhar aqui para o lado para Espanha para perceber como se faz: trabalho sério e consistente nas escolas desde tenra idade resulta em campeões praticamente em todas as modalidades.

Felizmente que o Rei futebol em termos desportivos ainda nos vai dando algumas compensações mas, convém realçar, graças a êxitos pontuais que nada resultam de uma aposta com cabeça, tronco e membros por parte do Estado. Mourinho foi criação do próprio (o mérito é todo dele) e a fábrica de talentos de Alvalade é uma exceção à regra.

Agora, para a foto final não ser absolutamente desoladora, resta-nos esperar por uma medalhinha na Vela ou no Atletismo. Se vier pintada de verde, tanto melhor…

O Alive II